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quinta-feira, outubro 11, 2007

Jóias de Autor - Andreia Quelhas Lima

A Biblioteca Municipal de Ponte de Sor vai inaugurar, no dia 20 de Outubro de 2007 (sábado), pelas 17h30, a Exposição de jóias de autor de Andreia Quelhas Lima, seguida pela conferência “Composição e configuração das florestas de Portugal” pelo Eng. Paulo Godinho, às 18h30.
A exposição estará patente ao público até dia 13 de Novembro de 2007.
Esta actividade é organizada pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e A Loja do Lopes.


Andreia Quelhas Lima nasceu no Porto em 1976.
Licenciou-se em escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto – ESBAP – Porto.
Frequentou o Curso Intensivo de Joalharia, Gravura, Fotografia e Cerâmica na Escola Lorenzo de Médici, Florença, Itália.
Curso de Joalharia Contemporânea – Escola Engenho e Arte – Porto.
Frequência do Plano de Estudos Avançados de Fotografia do Arco. Almada
Expõe individual e colectivamente desde 2001, Fotografia e Joalharia.
Está representada em colecções particulares e públicas, em Portugal e Holanda.
Escrever sobre alguém que nos é próximo é quase sempre falho de objectividade.
Motivo fortíssimo para que, até hoje, nunca tenha sido tentada por tal empreendimento.


Conheço a Andreia desde a sua adolescência. Na altura, já se lhe adivinhava o gosto pelo “Belo”, responsabilidade atribuída com toda a certeza aos seus progenitores, que sempre se rodearam de bons e belos objectos. Lembro-me de, sempre que estávamos juntos, calcorrearmos as ruas do Porto à procura de exposições, novos espaços de velharias, antiquários, feiras e demais manifestações, na esperança de encontrar algo único. A Andreia participava ou na procura ou então na opinião final.
Foi com grande alegria que a vi seguir o caminho da criação artística.
Escolheu escultura! Na realidade, nunca lhe faltou força física e anímica para tal empresa. Nunca desanimou na sua vontade de saber mais, apesar de, nas muitas conversas em que me deu o privilégio de ser sua ouvinte, confidente e muitas vezes conselheira – papel nem sempre fácil – me participar as suas dúvidas e dificuldades quanto ao acerto da sua escolha profissional. Ser artista tem muitas penas e algumas plenitudes. Da sua estadia em Itália, adveio-lhe o gosto pela joalharia “pequenas esculturas de usar”, segundo a própria, e pela fotografia intimista com que algumas vezes nos presenteia em exposições esporádicas. Lembro-me de andar pelas ruas de San Gimignano com caixas de cartão e panos pretos em esperas quase desanimadoras a fazer Pin-hole, um dos meios de fotografar que a Andreia utiliza.

Algumas vezes a Andreia dá-me o privilégio da troca de ideias.

O mesmo “olhar”de fotógrafo é usado para criar jóias. É extraordinária a procura da luz da composição e da forma perfeita para ser fruída. O aspecto construtivo das peças é diferenciado pelas formas lúdicas de algumas com menos preocupação utilitária e mais expositiva, ou morfológicas com a intencionalidade estética do ponto de vista do utilizador de outras. Os diferentes materiais para a construção das suas peças, sementes, frutos secos, pedras semipreciosas, vidro, seixos, metais, como a prata, o cobre e o ouro, tecidos, fitas, fios, elásticos e um sem número de coisas que reaproveita, fazem entroncar certos aspectos da sua gramática formal nos conceitos do object trouvé, ready made e arte povera.
Este modo de encarar o objecto de artista com novas perspectivas estéticas – neste caso as jóias – contribui para reabilitar as artes ditas “menores”.

Isabel Vaz Lopes
Lisboa 27 de Setembro de 2007
Jóias de Autor / Andreia Quelhas Lima

terça-feira, setembro 18, 2007

A Caminho da Fonte do Rato – um percurso imaginado

A Biblioteca Municipal de Ponte de Sor vai inaugurar, no dia 22 de Setembro de 2007 (sábado), pelas 17h30, a Exposição de Pintura “A Caminho da Fonte do Rato – um percurso imaginado” de Coca Froes David, seguida pela conferência “A Artista e o Lavrador enquanto Jovens Cães” por António Cruz de Carvalho, às 18h30.
A exposição estará patente ao público até dia 16 de Outubro de 2007.
Esta actividade é organizada pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e A Loja do Lopes.


Coca Froes David nasceu em 1955.
Reside e trabalha em Évora.


Exposições Individuais (selecção)

1984 – Évora. Grupo Pró – Évora
1986 – Vila Real. Fundação da Casa de Mateus (entrega do premio D. Dinis a José Saramago)
1989 – Lisboa. Clube 50
1992 – Lisboa. Clube 50
1994 – Montemor – o – Novo. Galeria Municipal
1996 – Ponte de Sor. Biblioteca Calouste Gulbenkian
1998 – Lisboa. Mercado de Santa Clara
1999 – Lisboa. Mercado de Santa Clara
2000 – Lisboa. Galeria de S. Bento 34
2002 – Évora. Galeria 21 – “Bonecas”
2002 – Lisboa. Livraria Ler Devagar – “Livros”
2003 – Ponte de Sor. Biblioteca Calouste Gulbenkian
2004 – Évora. Galeria 21 – “ Paisagens”
2006 – Estremoz. Ate Jazz Café – “Bonecas”


Exposições Colectivas (selecção)

1988 – Almancil. Centro Cultural de S. Lourenço – “5 mulheres do Alentejo”
1991 – Santiago de Compostela. (Itinerante Galiza) Espanha
1992 – Évora. Galeria Évora – Arte
1994 – Évora. I Centenário de Florbela Espanca. Grupo Pró – Évora
1998 – Évora. “Corpo. Nu. Desenho. 1” Grupo Pró – Évora
1999 – Évora. “Corpo. Nu. Desenho. 2” Grupo Pró – Évora
1999 – Lisboa. Armazém 7 – “Por Timor”
2000 – Évora. Corpo. Nu Desenho. 3” Grupo Pró – Évora
2000 – Évora. Galeria 21
2001 – Évora. “Corpo. Nu. Desenho. 4” Grupo Pró - Évora

Representada nas colecções da Fundação da Casa de Mateus, Vila Real – Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, Lisboa – Fundação Eugénio de Almeida, Évora e Banco Internacional de Credito, Lisboa.
CAMINHO PARA A FONTE DO RATO, UM PERCURSO IMAGINÁRIO


Florestas, árvores, árvores, florestas e mais florestas.

Ainda que as árvores sejam sobreiros, estas florestas têm uma atmosfera muito diferente do que é habitual na realidade física dum montado de sobro. Uma atmosfera sombria, de floresta de contos infantis, com uma inquietação latente e, por vezes, uma tristeza que nos invade a alma. Nem sempre, porém, predomina o sombrio, a inquietação e a tristeza; há momentos em que os amarelos, bem solares, se sobrepõem aos verdes secos, às terras e aos ocres, como que num grito de revolta e numa vontade de viver que irrompe com grande força, negando tudo o que antes fora dito e deixando-nos a esperança de momentos de júbilo no meio da quase desolação.

A paleta destes quadros, em que a técnica predominantemente usada é aguarela e acrílico, nalguns casos faz-me lembrar a paleta das paisagens de Hogan, embora em tudo o mais se distanciem delas: árvores onde, em Hogan, há só campo, intimidade onde há vazio e proximidade onde há distância.

Há já longos anos que venho acompanhando o percurso da artista e querida, muito querida, amiga. Porém, ser amigo dum artista nem sempre é tarefa fácil, porque os artistas têm uma lógica interna, um percurso próprio que nunca, ou só muito raramente, corresponde àquilo que esperamos ou desejamos, mas artista é artista e, na sua arte, e sem prejuízo do diálogo mental que sempre estabelecem com os outros artistas, seguem um caminho necessariamente solitário, aliás como é próprio da sua condição de artista.

Só mais uma nota. Vejo, em certos quadros desta exposição, algo que nunca antes tinha observado nas pinturas da Coca - a emergência de elementos que apontam para uma tendência abstractizante. É caso de perguntar: "Que mais irá me acontecer?" Será que a Coca, que sempre pintou de forma eminentemente figurativa, vai passar a dedicar-se ao abstraccionismo ou, pelo menos, a um "realismo" mais distante da realidade? Talvez a Coca saiba, ou talvez não, e isso pouco significa. O futuro dirá.

Fernando Mascarenhas
Casa de Mateus
13 de Setembro de 2007

segunda-feira, maio 21, 2007

Desenho e Pintura - Maria Capelo

A Biblioteca Municipal de Ponte de Sor vai inaugurar no dia 26 de Maio de 2007 (sábado) pelas 17h30, a Exposição de Desenho e Pintura de Maria Capelo, seguida pelas 18h30, da conferência “Paisagem - algumas notas sobre a presente exposição e leitura de alguns poemas” pelo Dr. Fernando Mascarenhas. A exposição estará patente ao público até dia 19 de Junho de 2007. Esta actividade é organizada pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e A Loja do Lopes.



Maria Capelo
Nasceu em 1970, em Lisboa, onde vive e trabalha.
Terminou o curso de Pintura da Faculdade de Belas Artes de Lisboa em 1992.
Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro desde 1996.

Exposições Individuais
1996
Museu Botânico, Lisboa
1997
Módulo - Centro Difusor de Arte, Lisboa
Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
1998
Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
1999
Módulo - Centro Difusor de Arte, Lisboa
Galeria do Leal Senado, Macau
2000
Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
2001
Crown Gallery, Brussels
2003
Módulo - Centro Difusor de Arte, Lisboa
Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
2004
Módulo - Centro Difusor de Arte, Lisboa
2005
Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
Módulo / Galeria Formadarte, Estoril

Exposições Colectivas
1998
Art Brussels (Módulo)
1999
Art Brussels (Módulo / Christian Drantmann)
PLMJ, Lisboa
Art Cologne (Módulo)
2000
Art Brussels (Módulo / Christian Drantmann)
TEFAF Maastrich (Módulo)
Une Perspective Portugaise de l´Art Contemporain, Maison de l‘Unesco, Paris
LineArt Gand (Crown)
Art Forum Berlin (Módulo)
Art Cologne (Módulo)
2001
Gallery Phoebus, Rotterdam (Módulo)
Propostas Complementares, Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
Arte Lisboa (Módulo)
2002
Art Brussels (Módulo)
O quê? Pintura. Claro! Porque não?, Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
Arte Lisboa (Módulo)
2003
Arte Lisboa (Módulo)
2004
Arte Lisboa (Módulo)
2005
Propostas no Papel, Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
XXX (1975-2005) Módulo - Centro Difusor de Arte, Lisboa
Salon d’Art Contemporain Montrouge 2005, Amarante, Genova, L’Hospitalet, Montrouge,
Salzburg
Arte Lisboa (Módulo)
Arte Pública
Vieira de Almeida, Sociedade de Advogados - antiga RDP, Lisboa (c/ José Neves, arq.)

On-line
www.anamnese.pt

Colecções
Veranneman Foundation, Belgium
PLMJ, Lisboa
Leal Senado, Macau
Fundação Graça e Victor Carmona e Costa, Lisboa



“Maria Capelo coloca o problema de uma pintura sobretudo sensorial, não narrativa, num contexto figurativo. Mais do que dizer, ela precisa que a cada momento se dê uma aparição. Esse é o seu único verdadeiro acontecimento. O seu caminho é isolá-lo e nesse processo produzir uma muito particular celebração da pintura.”

Celso Martins


Galeria
Maria Capelo

sexta-feira, abril 13, 2007

des (a) parecer - Graça Sarsfield

A Biblioteca Municipal de Ponte de Sor vai inaugurar no dia 21 de Abril de 2007 (sábado) pelas 17h30, a Exposição de Fotografia e Video - des (a) parecer, de Graça Sarsfield, antecedida pelas 16h30, da conferência "A Fotografia e o Video na Arte Contemporânea" pela Dr.ª Emília Tavares. A exposição estará patente ao público até dia 15 de Maio de 2007. Esta actividade é organizada pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e A Loja do Lopes.


GRAÇA SARSFIELD vive e trabalha em Lisboa.
Do seu currículo fazem parte várias exposições individuais e colectivas, tanto em Portugal como no estrangeiro. A sua obra encontra-se representada nas seguintes colecções:

Fundação PLMJ, LISBOA
Banco Espírito Santo, BES, LISBOA
AFCA, Encontros da Imagem, BRAGA
Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian
Colecção Serpa: Auto Retratos de Artistas Contemporâneos
Museu de Arte Contemporânea do Funchal
Colecção Câmara Municipal de Lisboa
Colecções Particulares

E nas seguintes publicações:

VOZES E OLHARES NO FEMININO. 2001,PORTO – Capital Europeia da Cultura
À FLOR DA PELE- João Miguel Fernandes Jorge, 2001
SILÊNCIOS – Paulo Cunha e Silva, 2000
GESTOS NO FINAL DO SEC. XX - João de Lima Pinharanda, e Luís Serpa,1998
INDIA SONGS – Bernardo Pinto de Almeida, 2002
Anamnese – (Fundação Ilídio Pinho), 2006
Publicada na imprensa nacional e internacional (selecção): Revista Egoísta, Elle, Revista Reitoria Universidade do Porto, Oriente, Le Monde, Die Zeit, Vogue, Marie Claire

Silêncios

O silêncio tem diferentes apresentações, modalidades e motivações. O silêncio acontece porque não há nada para dizer ou, no limite, porque há um excesso de coisas para dizer que se empurram e se auto-anulam no momento da enunciação. O silêncio pode ser brutalmente ruidoso, pode furar os tímpanos nesse excesso de vazio.
O silêncio pode, por isso mesmo, ser o momento imediatamente anterior à produção de um grito. Pode ser um grito suspenso que, pelo facto de o ser se transforma num processo violento de auto – punição, semelhante àquele que acontece quando guardamos na boca toda a raiva que nos vai na alma. Um silêncio pode assim valer mais que mil palavras. Pode dizer tudo aquilo que todos os gritos conseguem. Que todos os enunciados escamoteiam.
Há no silêncio um sentido, uma intensidade de comunicação que só se revela quando ele se instala no meio do mundo e funciona como fundo-forma desse mundo. Quando o silêncio irrompe, é o som que faz de fundo. A música, as palavras, a comunicação podem ser entendidas como o negativo de uma colecção de silêncios, de não-ditos que se alinham ao longo do tempo.

Graça Sarsfield silencia-se, esconde-se, veste-se de luto e grita (silenciosamente) incorporando as quatro “Fleurs du Mal”. Ela é “Melancolia”, “Solidão”, “Memória” e “Violência” sem que de facto o possamos saber porque a autora neste auto-retrato elíptico, desaparece por trás do silêncio negro que decide vestir. De certa forma, ela convoca-nos para dizer que o seu verdadeiro auto-retrato é aquele das papoilas, é aquela mancha vermelha que irrompe subitamente num campo alimentado pelas chuvas e estimulado pelo sol.
A fotografia aproxima-se, aqui, da performance, quase daquilo a que por vezes se chama o "teatro da vida”.É por isso que essas imagens desconcertantes de papoilas super luminosas contrastando com o luto carregado, silencioso, brutal que a fotógrafa decide vestir, nos enviam para um terreno estranho, para um curioso paradoxo. O que será que Graça Sarsfield nos quer contar? Como consegue ela polarizar – se entre duas atitudes tão diferentes? A não ser que uma indicie a outra. E a papoila seja o desejo de rotura que existe dentro dela.
Neste fito morfismo, neste desejo de transformação em alegre e despreocupado vegetal, a fotógrafa esconde também um profundo ímpeto de liberdade. Ela faz da fotografia, mais do que a matéria que utiliza para criar, a metáfora da sua condição. Ela usa a revelação fotoquímica como a sua revelação. Ela mostra – se com a fotografia. E só mostra porque a fotografia assim o permite – porque se serve da câmara escura para se revelar.
Como diria Barthes, esta câmara é, sobretudo, clara. Esta câmara é um processo de revelação, de caracterização, por mais que esconda e silencie.

É neste jogo de sombras (ou melhor, de sombras e de claridade) que esta obra deve ser entendida. Ela é um claro-escuro. A denúncia de um escuro, de um negro insuportável, e o desejo de um claro, de uma rotura em direcção à claridade, em direcção á liberdade.
Graça Sarsfield usa a fotografia como exorcismo. Ela faz-se fotografar, empresta o corpo, o volume do seu corpo, mas logo se escamoteia. Quando entramos nesta exposição não imaginamos a sua dimensão autobiográfica. Não imaginamos que ela está lá com toda a intensidade, embora completamente silenciada para poder gritar com mais intensidade.

É mais provável que quando as flores do mal secarem definitivamente, ela reapareça vermelha, papoila, despida tal como é ou desejaria ser; mas esse será o filme da sua vida.

Paulo Cunha e Silva
Maio de 2000


Galeria
Graça Sarsfield

segunda-feira, março 12, 2007

O Segredo - Margarida Dias

A Biblioteca Municipal de Ponte de Sor vai inaugurar no dia 24 de Março de 2007 (sábado) pelas 17h30, a Exposição “O Segredo”, fotografia de Margarida Dias, seguida às 18h30, de conferência a designar. A exposição estará patente ao público até dia 17 de Abril de 2007.
Esta actividade é organizada pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e A Loja do Lopes.



Margarida Dias
Depois de completar o plano de estudos de fotografia (1983/89) do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa, foi convidada para aí continuar como professora (1989/2006). Durante o mesmo período foi também professora de fotografia no IAO – Instituto de Artes e Ofícios, da Universidade Autónoma de Lisboa. Simultaneamente, prossegue a sua actividade como fotógrafa profissional, com colaboração em jornais, agências de publicidade, ateliês de design e de arquitectura. É também, desde 2002, fotógrafa do Teatro Nacional D. Maria II. Com 20 exposições individuais e várias colectivas, está representada em colecções tanto públicas como privadas, quer no estrangeiro (Fondazione Italiana per la Fotografia – Turim, Itália), quer em Portugal (Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa; Encontros de Imagem – Braga; Colecção Culturgest; Colecção PLMJ – Sociedade de Advogados)

Margarida Dias tem publicado regularmente desde 2000 um calendário temático com as suas fotografias. Publicou igualmente o livro O Segredo, sobre o Atelier do escultor Lagoa Henriques, edição do Arquivo Fotográfico de Lisboa, CML, 2001.
De mão em mão
Chegado ao Porto recomecei a descoberta do mundo. Adolescente quase, deixei que entre o espanto e a velocidade a minha vida se fosse enchendo de diferenças. Pela mão do meu Pai cheguei ao atelier do Lagoa Henriques, um portão cinzento na rua de São Victor e a mão que me levou largou a minha para bater duas vezes. Aberta a porta fiquei então diante do Mestre e da sua casa. Uma árvore apanhada na rua com um balão japonês de papel suspenso de um ramo, seria a primeira diferença. Depois o barro envolto em plástico, a escultura velada no processo de fazer-se, as inumeráveis maravilhas de madeira e pedra, de bronze de terra e gesso, os livros, as imagens. Para lá da amizade que pareceu logo acontecer e aconteceu de facto, começou o processo de aprendizagem que ainda não terminou. Espaço povoado de forma estranha, continha de modo cuidadoso ou descuidado os frutos de muitas colheitas e estações, em praias e terras, de aqui ou de ali, por países distantes ou ao pé da porta.
Ter entendido a primeira lição sobre a importância das coisas e principalmente o que são coisas importantes foi fundamental e profundo como ter entendido a lição do risco, “ O Risco Inadiável” do Lagoa Henriques. No decorrer destes anos persisti riscando e fui construindo a meu modo os meus próprios universos de nadas e muita coisa, passando assim através do tempo e dos seus dias um testemunho precioso e sem preço.

Quando conheci a Margarida e começámos a nossa própria viagem fizemo-lo a partir do meu atelier do Baleal; um espaço pobre carregado de memórias do mar e dos dias; pedras, fósseis, restos do tempo, arames retorcidos, madeiras carcomidas por bichos e marés, inúteis aparelhos de pesca, pinturas e desenhos onde o bolor e a ferrugem eram mais tinta do que as próprias tintas. Assim como me espantara eu em São Victor espantou-se agora esta rapariga de olhos grandes, recebendo de uma só vez o peso do testemunho e do segredo. De alma e olhar intactos começou então a sua própria colheita por esse mundo que só se revela quando partem aqueles que por cima dele passam descuidados.
Fotógrafa com obra precoce e desde sempre voltada para a noite e para as sombras, vem construindo um processo criativo e coerente de registos pessoais invariavelmente tecido por uma sensibilidade e uma franqueza invejáveis, uma teimosia inelutável, obstinada até, que não encontrou ainda obstáculos que lhe causassem desvio ou arrependimento. Principalmente só e por sua conta e risco.
Falámos sempre desse Lagoa, presente na minha vida, do modo como lhe aprendi os passos, ficando sempre a promessa do encontro.
Pela minha mão e pela da Lúcia Vasconcelos chegaram-lhe aos olhos Morandi e Sudek, esses dois altíssimos solitários senhores do rigor, riquíssimos de tanta e maior teimosia e obstinação; desviados do circunstancial, fidelíssimos amantes dos mundos subtis e únicos das sombras e dos restos, gentis como gentil se define na poesia de António Machado.
O que a Margarida vem fotografando há quase vinte anos são coisa e momentos à beira de se romperem por tão finas de gastas serem as paredes que as contêm.
É então o encontro prometido e de novo pela minha mão batemos à porta do atelier do Lagoa, este de Lisboa, esse atelier magicamente renascido do desastre e onde uma vida se refez sobre o trabalho e sobre nadas, restos e coisas ainda para acontecer.
Com o seu olhar tranquilo e sem vergonha lhe pediu para tudo fotografar e ali começou, fixando apaixonadamente os segredos à beira de deixarem de ser. Conseguindo até fixar na película o rumorejar das rolas.

O leque precioso e mundano, o boneco de barro, o cadeirão íntimo e aconchegado, o espelho fosco de tanto ver o que nele se viu, os ossos e os trapos, os frascos vazios e os vidros preciosos, a roda de lata e o ramo partido, a taça de conchas e a concha sem dono, os livros relidos e cheios de gente, as traqueias do mundo, o fragmento de um rosto de gesso que viu o incêndio, a roda de bicicleta que não levará mais ninguém a lado algum, o veleiro de brinquedo e a palmeira dos trópicos, o rosto sereno carregado da ternura de uma mãe que olha ainda o filho inesquecível, a sombra de um anjo, o gato que passa como duende negro e ágil, os troncos comidos pelo mar, o pequeno corpo quase nu que tapa o rosto como se receasse a caveira e a santa que lhe estão ao lado, a pá do lixo, a cama desfeita onde descansou o corpo e ainda preguiça o gato, cordas que amarram e soltaram navios, as penas leves das rolinhas que por ali voam livres, o candeeiro aceso sobre o livro que se lê, os vidros translúcidos que deixam quase ver o Tejo, as bem amadas plantas, as gaiolas abertas onde cantam pássaros, o amontoado de amigos e um ou outro poeta que lhe merecem o olhar, a espinha de peixe e o prato de esmalte, a cadeira rota de palha que lembra Picasso pobre e Van Gogh sempre pobre, os rolos de toalhas de papel onde riscou a mão que antes comeu mas que não pode deixar de ser a mão do escultor.
Ele próprio atravessa fugazmente o seu mistério caminhando para as figuras de mulher que contam num murmúrio que uma outra mulher veio ali para desvendar o Segredo.


Galeria
O Segredo

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Ponto de Encontro - Vítor Pomar

A Biblioteca Municipal de Ponte de Sor vai inaugurar no dia 24 de Fevereiro de 2007 (sábado) pelas 17h30, a Exposição “Ponto de Encontro”, pintura de Vítor Pomar, seguida às 18h30, de conferência a designar.
A exposição estará patente ao público até dia 20 de Março de 2007.


Esta actividade é organizada pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e A Loja do Lopes.




Vítor Pomar nasceu em Lisboa em 1949. Frequentou as Escolas de Belas-Artes do Porto e Lisboa (66-69). Emigrou para a Holanda em 1970, onde frequentou a Academia Livre de Haia e a Academia de Arte de Roterdão, onde completou estudos em 1973. Ensinou serigrafia na Academia Livre de Haia (73-74).
Vive e trabalha em Assentiz, Rio Maior, desde 2003.


Ponto de Encontro

Quem somos, donde vimos, para onde vamos, são questões às quais respondemos implicitamente a cada momento.
Cada gesto trás consigo uma resposta calada, surda e definitiva embora revogável, renovada a cada instante de plenitude, que cada passo vem confirmar ou denunciar.
Como dizia o poeta, a cada instante nos confrontamos com uma santidade não assumida...
Insondável frescura original!
Fazer espaço, abrir caminho, chegar ao ponto final que nenhum horizonte limita.
A celebração da própria vida, o reconhecimento da natureza da própria existência, o incessante desfiar dos fenómenos perante uma consciência amorosa, são algumas das intuições mais fecundas que nos podem situar, posicionar neste mundo...
Assim se nos devolve um mundo irrefutável, imparável, imutável, em que a vida e a morte se confundem numa permanente “dissolução totalmente feliz”, em que todo “condicionamento moral” se esgota ao nascer, em que a “ausência de julgamento” dá lugar a uma “presença total” que é também “vívida ausência”.
Insuspeita vibração que nos consome no mais profundo de nós mesmos, que nos deixa extasiados diante do ilimitado universo do qual não nos distinguimos.
Qual naufrago atirado para o areal duma ilha maravilhosa e deslumbrante.
“Cornucópia da abundância”, jóia ou árvore que “satisfaz todos os desejos”, profundamente enraizada no inconhecível presente.
Ilha de um tesouro obscenamente exposto!
E se as raízes, tronco, ramos e folhas da “árvore da vida” (?) fossem indissociáveis dum presente de plenitude tão insondável quanto perene?
E se as flores e os frutos desta mesma árvore rejubilassem de luz e música celeste?
Porque não uma consciência como paraíso e bunker que resiste amorosamente a todas as agressões?
É pegar ou largar.



VP, Amsterdam, 22 Janeiro 2007








terça-feira, janeiro 23, 2007

Noronha da Costa

A Biblioteca Municipal de Ponte de Sor vai inaugurar no dia 27 de Janeiro de 2007 (sábado) pelas 17h30, a Exposição de Pintura de Noronha da Costa, seguida da leitura do conto “A Menina do Mar” de Sophia de Mello Breyner Andresen, pelo Dr. Fernando Mascarenhas, às 18h30.
A exposição estará patente ao público até dia 20 de Fevereiro de 2007.

Esta actividade é organizada pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e A Loja do Lopes.