quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Ponto de Encontro - Vítor Pomar

A Biblioteca Municipal de Ponte de Sor vai inaugurar no dia 24 de Fevereiro de 2007 (sábado) pelas 17h30, a Exposição “Ponto de Encontro”, pintura de Vítor Pomar, seguida às 18h30, de conferência a designar.
A exposição estará patente ao público até dia 20 de Março de 2007.


Esta actividade é organizada pela Câmara Municipal de Ponte de Sor, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e A Loja do Lopes.




Vítor Pomar nasceu em Lisboa em 1949. Frequentou as Escolas de Belas-Artes do Porto e Lisboa (66-69). Emigrou para a Holanda em 1970, onde frequentou a Academia Livre de Haia e a Academia de Arte de Roterdão, onde completou estudos em 1973. Ensinou serigrafia na Academia Livre de Haia (73-74).
Vive e trabalha em Assentiz, Rio Maior, desde 2003.


Ponto de Encontro

Quem somos, donde vimos, para onde vamos, são questões às quais respondemos implicitamente a cada momento.
Cada gesto trás consigo uma resposta calada, surda e definitiva embora revogável, renovada a cada instante de plenitude, que cada passo vem confirmar ou denunciar.
Como dizia o poeta, a cada instante nos confrontamos com uma santidade não assumida...
Insondável frescura original!
Fazer espaço, abrir caminho, chegar ao ponto final que nenhum horizonte limita.
A celebração da própria vida, o reconhecimento da natureza da própria existência, o incessante desfiar dos fenómenos perante uma consciência amorosa, são algumas das intuições mais fecundas que nos podem situar, posicionar neste mundo...
Assim se nos devolve um mundo irrefutável, imparável, imutável, em que a vida e a morte se confundem numa permanente “dissolução totalmente feliz”, em que todo “condicionamento moral” se esgota ao nascer, em que a “ausência de julgamento” dá lugar a uma “presença total” que é também “vívida ausência”.
Insuspeita vibração que nos consome no mais profundo de nós mesmos, que nos deixa extasiados diante do ilimitado universo do qual não nos distinguimos.
Qual naufrago atirado para o areal duma ilha maravilhosa e deslumbrante.
“Cornucópia da abundância”, jóia ou árvore que “satisfaz todos os desejos”, profundamente enraizada no inconhecível presente.
Ilha de um tesouro obscenamente exposto!
E se as raízes, tronco, ramos e folhas da “árvore da vida” (?) fossem indissociáveis dum presente de plenitude tão insondável quanto perene?
E se as flores e os frutos desta mesma árvore rejubilassem de luz e música celeste?
Porque não uma consciência como paraíso e bunker que resiste amorosamente a todas as agressões?
É pegar ou largar.



VP, Amsterdam, 22 Janeiro 2007








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